Habitação acessível permanente em Portugal

Pacto pela Habitação Permanente

Há decisões sobre habitação que se tomam hoje e duram cem anos. Estes são os três princípios que as devem orientar.

Subscrever o Pacto

Os três princípios

A habitação é infraestrutura crítica de cidadania. Não pode continuar a ser tratada apenas como ativo financeiro nem apenas como problema residual da política social. Propomos três princípios estruturais que consideramos não negociáveis para qualquer modelo de habitação a custo acessível em Portugal, qualquer que seja a sua natureza jurídica, origem de capital ou filiação institucional.

  1. 01

    Permanência

    A habitação criada com missão pública existe para servir quem lá vive. Esse vínculo tem de estar inscrito por estatuto ou por contrato. As pessoas que constroem ali a sua vida têm direito a continuar, e o que se constrói hoje para servir uma comunidade tem de continuar a servi-la daqui a cem anos. As instituições e as suas lideranças mudam. O compromisso de permanência tem de ser desenhado para sobreviver às lideranças que o assumem.

  2. 02

    Renda de custo

    A renda neste segmento reflete o custo real de operar, manter e reinvestir. Não o preço que o mercado especulativo conseguir extrair. A fórmula é simples: custo de operação + manutenção + reserva para reinvestimento. Esta lógica protege quem vive da pressão dos ciclos imobiliários e protege quem opera o parque de derivar para a procura de margem. A composição dos custos é auditável e pública.

  3. 03

    Reinvestimento integral

    O excedente operacional é reinvestido no sistema para permitir a manutenção do parque existente e a criação de novos ativos para aluguer. Sem distribuição de dividendos e sem extração de lucro privado. O capital filantrópico, europeu ou público que entra no sistema permanece no sistema e multiplica-se ao longo de gerações.

Folheto para imprimir e distribuir

A natureza deste Pacto

Subscrever o Pacto pela Habitação Permanente é um ato público de apoio e alinhamento estratégico com estes três princípios para Portugal. Não representa um compromisso financeiro nem institucional. O Pacto reconhece o papel essencial do Estado social e do mercado privado nas suas esferas próprias. Foca-se na faixa intermédia onde nenhum dos dois chega por desenho: profissionais essenciais (enfermeiros, professores, técnicos qualificados), classe média jovem, famílias com rendimento médio que não cabem na habitação social pública nem conseguem aceder ao mercado privado com taxas de esforço sustentáveis (até 35% do rendimento disponível). Esta faixa intermédia tem solução institucional comprovada na Áustria, Países Baixos, Reino Unido, Finlândia e Alemanha desde há décadas. O Pacto propõe que Portugal adote essa arquitetura, adaptada à sua realidade.

A Fundação Âncora não é apenas promotora deste Pacto. É também atora do sistema que defende: trabalha ativamente na criação de habitação a custo acessível em Portugal, segundo os mesmos três princípios que aqui subscreve. O Pacto fixa critérios independentes da Fundação. A Fundação aceita ser avaliada pelos mesmos critérios que pede aos outros.

A Fundação Âncora compromete-se a publicar avaliações periódicas e independentes de medidas, programas e operadores contra estes três princípios, sem juízo sobre intenção e com fundamentação técnica disponível. Acompanharemos publicamente o cumprimento.

Subscrever o Pacto

Há três caminhos, conforme a sua situação, sempre gratuitos e sem implicações legais.

Por convite

Subscrição como Signatário

Académicos, autarcas, dirigentes cívicos, profissionais com obra pública reconhecida. Subscrição com nome, função e frase de adesão visível. O seu nome significa algo. Use-o aqui.

Pedir convite

Adesão formal

Adesão de organização

Câmaras municipais, ordens, universidades, faculdades, institutos, associações, cooperativas, fundações e empresas com voto formal de adesão. O logo da organização constará da publicação.

Pedir convite

Em nome próprio

Subscrição individual

Sem critério de elegibilidade. O seu nome não é publicado. A subscrição soma no agregado nacional e regional.

Subscrever em nome próprio

Perguntas frequentes

Porque é importante assinar este pacto?

A política habitacional portuguesa oscila há décadas entre planos públicos pontuais e ajustes ao mercado especulativo. Falta uma posição pública clara sobre o que define habitação acessível digna desse nome. O Pacto fixa três critérios estruturais: permanência, renda de custo, reinvestimento integral. Subscrever é colocar peso público sobre estes critérios, pessoa a pessoa, organização a organização. É também sinalizar a decisores políticos, financiadores e operadores que existe uma coligação atenta ao seu cumprimento.

A quem vai ser mostrado quem assinou este pacto?

A página do Pacto é pública. Signatários e organizações aderentes constam com nome, função e (se preenchida) frase de adesão. Cidadãos subscritores não são publicados individualmente, salvo se autorizarem expressamente. A coligação será apresentada em interlocuções da Fundação Âncora com instituições do Estado, União Europeia, sector financeiro e sector da habitação, e em relatórios periódicos de avaliação contra os três princípios.

Esta subscrição conta como uma petição pública?

Não. Uma petição pública dirige-se à Assembleia da República e segue um regime jurídico próprio. Este Pacto é um documento de princípios subscrito por cidadãos, signatários e organizações, sem efeito jurídico vinculativo. O seu poder é declarativo e político: cria peso público sobre os três princípios, mas não impõe ações legais ao Estado nem obriga qualquer entidade.

Isto já existe noutros países?

Sim. Os modelos de habitação a custo acessível com permanência, renda de custo e reinvestimento integral existem em vários países europeus há décadas. Na Áustria, o regime jurídico data de 1979 e cobre 23% do parque habitacional. Nos Países Baixos, as associações de lucro limitado representam 34% do parque. No Reino Unido, organizações como o Peabody Trust operam segundo estes princípios desde 1862. Na Finlândia, a Y-Foundation aplica-os ao combate à sem-abrigo desde 1985. O Pacto não propõe modelo inédito, propõe que Portugal adote uma arquitetura institucional já provada, adaptada à sua realidade jurídica e fiscal.

Este modelo tem limites?

Sim, e reconhecê-los é parte da seriedade do Pacto. O modelo de habitação a custo acessível com renda de custo só funciona com capital paciente, missão estável e quadro legal próprio. Não substitui o mercado privado para quem pode pagar custo de mercado, nem substitui a habitação social pública para quem está em carência extrema. Não escala instantaneamente: nos países onde funciona, o parque habitacional construiu-se ao longo de gerações. E exige instituições com governação que sobreviva aos seus próprios fundadores. O Pacto propõe três princípios estruturais; não promete solução universal, nem prazos mágicos. Promete avaliação pública e honesta do progresso, dos sucessos e das limitações.

O que muda quando subscrevo?

Subscrever o Pacto é um ato público de alinhamento com os três princípios. Não cria obrigações financeiras nem institucionais. O seu nome (Signatário) ou organização (Aderente) constará da publicação. A sua subscrição (Cidadão) é contabilizada no agregado nacional e regional, sem nome individual.

Posso retirar a subscrição?

Sim, a qualquer momento, por email para geral@fundacaoancora.pt. A retirada é processada em até sete dias úteis.

A Fundação Âncora é dona deste Pacto?

Não. A Fundação Âncora promove e cura o Pacto, mas o documento pertence aos seus subscritores. A Fundação compromete-se a não usar o nome ou imagem dos subscritores para fins promocionais para além da publicação inicial e dos relatórios anuais de progresso.

Que uso será dado à minha subscrição?

A coligação será usada como referência pública nas relações da Fundação Âncora e dos próprios subscritores com instituições do Estado, da União Europeia, do setor financeiro e do setor da habitação. Periodicamente serão publicados relatórios de coerência avaliando políticas e medidas públicas contra os três princípios.

Como são protegidos os meus dados?

A Fundação Âncora cumpre integralmente o RGPD. Para Cidadãos Subscritores, o nome individual nunca é publicado. O email só é usado para confirmação da subscrição e para comunicações relacionadas com o Pacto, e pode ser eliminado mediante pedido.

Posso subscrever a partir do estrangeiro?

Sim. Membros da diáspora portuguesa e residentes no estrangeiro com ligação a Portugal podem subscrever. No formulário, selecione "Estrangeiro" no campo de concelho ou deixe em branco.

O que faz a Fundação Âncora além de promover este Pacto?

A Fundação Âncora é uma fundação privada portuguesa com missão de criar habitação a custo acessível, permanente, fora do mercado especulativo. Saiba mais em fundacaoancora.pt.

Posso subscrever em representação de outra pessoa?

Não. Cada subscrição é em nome próprio. Para adesão de organização, o representante deve ter mandato formal para o efeito.

Para quem quer aprofundar

Modelos e diagnósticos que sustentam o Pacto. Curadoria editorial do Radar Âncora.

Ver todas as leituras no Radar Âncora